segunda-feira, 30 de julho de 2012

Relatório da participação no VII COPENE: Os desafios da luta antirracista no século XXI

 Ao passo que adentramos na famosa ilha de Florianópolis, Santa Catarina percebíamos um movimento único e evidenciado de marca assim como o racismo sempre se impetrou na sociedade brasileira. A cidade com ar de burguesia, pelo visual europeu, com tom de limpeza, muito pela sua característica de inverno vigoroso, e com os sujeitos claramente divididos em classe, onde a classe negra referência do congresso ocupa espaço distante e a margem da sociedade comum, a periferia tem lugar de destaque, nos altos morros.
O Congresso tinha o jeito negro, o discurso negro e o ideal revolucionário negro, em figuras marcadamente batidas no seio da sociedade como a ilustre Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção para Igualdade Racial – SEPPIR, Luiza Bairros e o grande intelectual Kabengele Munanga professor titular na Universidade de São Paulo dentre outros mestres, doutores de diversas graduações e temáticas, estados, países e línguas.
A presença baiana foi ouvida e sentida na presença de sua delegação ativas e participativa, devo recordar aqui a aula no pátio do grande Jorge Conceição da UNIRAAM – Universidade da Reconstrução Ancestral Amorosa, que fora das convenções nos mostrou um pouco a intenção em sua mesa redonda sobre racismo e questões urbanas, tendo como referencial um dos colegas de curso, nos mostrou seu trabalho sobre as desconstruções através dos contos populares sobre entidades como Saci-Pererê, a Cuca, e o Boi da Cara Preta, muito instruidor. Os dias de frio se seguem com a efervescência do discurso em uma conferência grandíssima e rica no contexto atual, dessa tão vil, questão racial, pelo excelentíssimo professor Munanga, após as homenagens aos nossos negros de luta, o próprio, Abdias do Nascimento, Vicente do Espírito Santo e Lélia Gonzáles. Entre apresentação de trabalho e monitoria de atividades na sala de impressa, os seminários, e mesas, além da atividade cultural os contatos feitos com professores, estudantes e profissionais da área, sobrando tempo para as cousas do coração, foram arrebatadoras. Dediquei tempo para uma reunião da SEPPIR – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com o debate pontual sobre as políticas de ações afirmativas no Instituto Rio Branco, que concede bolsas para afro-descendentes para custear os cursos, e a capacitação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, com respostas interessantes e elucidativas do representante do Governo, na figura do Segundo Secretário Márcio Rebouças, que apontou para construção conjunta dentro dos limites do Itamaraty, Instituto Rio Branco e SEPPIR na manutenção e fortalecimento dessas políticas de ações afirmativas projeto pioneiro no Brasil. Entretanto a programação foi extensa não caberia em tudo, mas tivemos outros mestres, doutores, pós-doutores, pesquisadores que no conjunto ratificou este congresso como as conferencias das irmãs Costarriquenhas Campbell no auditório da ASSESC, dentre outras coisas que não foram compartilhadas na programação. Adiante não poderia faltar, neste, breve relato as visitas aos espaços, pontos e lugares turísticos desta capital brasileira, suas praias é berço dos surfistas nacionais, seu centro revela um desejo de toda capital de camuflar as desigualdades com uma maior confluência do povo, daqueles que pegam ônibus, em terminal coletivo. A universidade vivencia também uma greve nacional vista através de suas faixas reivindicatórias, seu transito para mais estruturado, mas que devido ao quantitativo populacional é revelador dos transtornos ocasionados, como na maioria dos grandes centros urbanos. As praças fomentam um interesse em de bem esta comunitário, pelo menos nos bairros da classe média, a partir das academias públicas e os aparelhos aeróbicos, mas a desigualdade esta no elevado, onde encontramos uma população de semelhante afastamento como acontece em demais capitais do Brasil, mas que também é esta comunidade de luta, sobrevivência, e cultura onde o samba e a escola de samba forjam os militantes étnico-raciais em defesa da igualdade numa cidade de referencial preponderantemente, branco. O que abre o ponto de crítica construtiva para uma próxima edição deste importante espaço de discussão das questões raciais. A inclusão das comunidades de resistência deve ser lembrada com o intente de ressignificação e construção da identidade mesmo que estas não coadunem com a academia, os negros já tem batalhas demais para serem excluídos daquele que se apresenta como um de seus espaços de interlocução. Por conseguinte ainda mesmo que com criticas, pois a imperfeição é característica daquilo que é produzido por seres humanos, homens e mulheres negras tem um importante instrumento para continuar a luta antirracista pelo século XXI, a fora.  

Cleber Pereira
Graduando em Ciências Sociais
Universidade do Estado da Bahia - UNEB